segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Pra recordar.



Gosto da noite, algumas vezes mais do que do dia.Noites de clima ameno, a lua acenando através da janela, a casa em completo silêncio.Já se faz tarde, não me importo, passo o dia a limpo,graças a Deus o trabalho realizado foi mesclado de amor, beneficiou quem precisava.Hora de devaneio, permito sair do presente, deixar as preocupações do agora, é tão bom recordar, voltar o 
pensamento há um tempo em que os maiores problemas resumiam -se em conciliar as diferenças entre quatro crianças. Noto que tudo passou muito rápido. Parece que ainda outro dia eles estavam a minha volta na cozinha, cada um relatando seus anseios, seus pequenos grandes problemas.Quase ouço as risadinhas, as provocações, um entregando o outro para depois se unirem na hora da bronca. As brincadeiras, a conversa correndo solta, passavam de um assunto ao outro com uma velocidade que só a imaginação das crianças conseguem.A gente ria, dava algumas broncas, no final sorria das traquinagens com o enlevo que só o amor é capaz de proporcionar. Tinha a parte das gemadas camufladas com toddy, quando percebidas, só o chinelo na mão pra garantir que seriam tomadas. A briga diária para irem pra cama mais cedo, a lição que era tão pouca, mas tinha a outra parte só lembrada na hora do sono. A inspeção da escovação dos dentes, a obrigação de colocar pijama, tudo era uma maratona.Distraia arrumando as camas, preparando os uniformes, deixando organizado para o próximo dia, tinha consciência da batalha da próxima manhã até que cada um tomasse o rumo da escola.Um dormia no sofá, outro lendo gibi, pegava cada um no colo, com cuidado,ter aquela pequena criatura junto ao coração era o sublime momento de sentir o amor em sua plenitude, intenso amor que carregava nos braços.O ato de cobrir, do beijo de boa noite, de enxergar na serenidade do semblante de cada filho o quanto eu queria proteger do mundo, o quando queria de felicidade para eles chegava a doer na incerteza do que viria.Eles crescerem, cada um construiu sua história, todos, indistintamente desfrutam da totalidade do meu amor, sou feliz e orgulhosa pelo simples fato de poder participar de suas vidas, do seus sonhos. hoje eles já não me pertencem, não precisam dos meus cuidados como antes, mas quando bate a insônia ainda gosto de recordar, finjo que são crianças, na imaginação, sinto o calor de cada mãozinha, dou um beijo imaginário de boa noite e durmo com a sensação do dever cumprido. 

Edna.

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