quinta-feira, 16 de abril de 2015

Passará!!!


Eu chorei de emoção! Não a emoção bonita, prazerosa que preeche o amâgo e desperta os acordes da melodia da alma.Então, percebi que precisava de um tempo!Foi um simples toque, ao ouvir uma pequena frase identifiquei a fragiliadade do momento. Avaliei meus sentimentos e dimensionei o quanto é dificil trazer o coração repleto de palavras mudas. Temos passado dias dificeis, pautados pela sombra da dor, vivenciando pais perdendo seus filhos de maneira tão inesperada quanto dolorosa. No silêncio do fim da tarde senti necessidade de extravasar minha aparente fortaleza, a incerteza da aceitação. Comparei -me a gota que cai ininterruptamente, aos poucos, preenchendo o vazio do copo do sentimento e por fim escorre livre pelo canto dos olhos.Hoje, chorei pela falta de palavras, pela impotência em sanar a dor alheia, por haver passado tanto tempo e ainda sentir com tanta força as próprias experiências dolorosas. Pela falta de ser compreendida no ato de consolar! Eu hoje, senti que precisava ser mais frágil, que ser forte também cansa, que a vida é feita de pessoas iguais, com necessidades muito parecidas.Então eu decidi!!! Me desvencilhei de tantas palavras guardadas, frases formuladas, mas sem oportunidade de ser pronunciadas, achei prudente guardar também os abraços e a constante pergunta, "Como está"? Na verdade, parei com tudo isso. Parei porque as respostas seriam sempre as mesmas. Você não compreende o que estou sentindo!Não sabe da minha dor! Sei sim!!! Só não há como te mostrar o quanto! Muitas vezes o sofrimento distorce a verdade , como se a dor pudesse ser individualizada, sem atingir todos que se amam. Assim, concluí que na vida a gente tem que se decidir pelo amor primeiro, o amor próprio! Esse, a gente sente , sabe o tamanho que tem. Direciona à quem nos enxerga sempre junto. Então, eu mudei o rumo da emoção! Usei um pouco mais de compreensão comigo mesma, decidi deixar cada um cuidar dos seus sentimentos, no tempo da sua dor, na certeza da sua força. Foi então que me senti mais leve! Compreendi que não posso sanar a dor alheia. Nem devo ter a pretensão de poupar as pessoas do aprendizado de cada dia. A vida dá a cada um as experiências necessárias para amadurecer, isso requer tempo, A própria natureza assim ensina, o fruto colhido antes do tempo não tem o mesmo sabor. A sabedoria consciste na simplicidade de nunca esquecer ..."Isso também passará".



Edna

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Minha primeira Edição!!!


Grande amiga!!!


Ela sempre estava em casa! Não importava o dia ou o horário, sobre a mesa havia um bule fumegante de café fresquinho, acompanhado de um delicioso bolo que convidava ao bate papo. A acolhida era calorosa, essa, era a sua maneira de minimizar qualquer preocupação.Duvido que nesses momentos alguém deixasse de sentir-se especial. Ela era assim! Solidária e preocupada, Séria e divertida. Acho que nem ela mesma conhecia a extensão do seu carisma. Seu mundo era restrito as paredes do seu lar, mas, seu espírito possuia tanta sabedoria que nos serve de exemplo diário até os dias de hoje. Lembro do seu porte altivo, seu anel de pedra verde, reservado para as ocasiões especias, assim como o discreto colar que usava com elegância.Não bastasse a gentileza, a esmerada educação, o que mais se destacava era seu incrivel amor ao próximo.Dedicava -se por inteiro aos seus familiares ou a quem mais precisasse da sua mão amiga. Seus netos, desfrutaram o carinho e a dedicação de uma avó que os amava.E, esse amor se fazia presente de várias formas. Na alegria de pacientemente esquentar várias rodadas de pão no café da tarde, fazer os bolinhos preferidos ou deixar brincar de colherinha no açucareiro. Dona Maria, a senhora deixou saudades,mais do que isso, a senhora deixou exemplos! Hoje, 8 de abril lembramos do seu aniversário! A sua partida ocorreu exatamente como viveu, sutilmente, sem alarde. após cumprida a missão com amor e grandeza de alma , Eu, como sua nora, tenho muito que agradecer, desejo, do fundo do meu coração que nesse dia a senhora receba meu sentimento de amor, respeito e gratidão, Dona Maria Henrique Bezerra, a senhora será sempre minha segunda mãe, minha companheira e amiga, a pessoa que por inúmeras vezes me fez rir , passou simples e sábios ensinamentos, "Na vida, tudo passa," "Nada como um dia após o outro e uma noite no meio", e assim, todos os problemas se resolviam. Essas frases eu muito ouvi, e até hoje servem para dar ânimo e força em qualquer situação que a vida apresenta. 
Muito tempo já passou desde que nos deixou, mas,isso não importa, Saibas que continuas viva em nossos corações, desfrutando de um espaço especial, aconchegada em nosso amor.

Parabéns minha querida sogra, desfrute com os anjos de um Feliz Aniversário!!!
Edna.

Hoje!!!


Hoje, quero ter o direito! Repasso pensamentos, decifro sentimentos e me permito divagar ao sabor das emoções que comprimem a alma. Porque vidas se esvaem em plena juventude? Em dia de renascimento pais choram a ausência, arrancados da beira do leito que antes guardavam a esperança da cura. Que haja a aceitação, pois somente resta essa opção! Histórias de sofrimentos, calados, guardados em quartos espalhados por tantas casas da cidade. Há quem sofra no silêncio da noite. São muitos os que esperam o raiar de um novo dia para continuar a busca incessante em favor da cura, procurando o remédio do corpo e a fé em forma de esperança para a alma. E, quando enfim, a cota de tristeza parece esgotada uma jovem promissora, profissional competente é apanhada de surpresa por um acidente vascular cerebral que a coloca em risco de vida em pleno vigor dos seus trinta e poucos anos. Aí, a casa caí!!! Bate a dor no peito, fica dificil exercitar o momomento da resignação. Nessas horas digerir tantas provas, aceitar com naturalidade a vida tão incerta é tarefa para gigantes. Bate a reflexão! Surge questionamentos... Valerá a pena tantos planos? alcançaremos a meta? O reconhecimento de tudo que nos cerca é proporcional ao esforço despendido? E essas pessoas em grandes provas ? Será que a algum tempo, poucas horas, imaginavam sequer que faltava tão pouco para que tudo mudasse? E se hoje fosse o nosso derradeiro dia? Sairiamos do cenário da vida plenos da certeza do papel cumprido? Ou deixariamos para trás pequenas alegrias que não tivemos tempo para realizar? O que fizemos das boas palavras que não houve tempo para externar?Será que falei com quem precisava? Usei meu direito de sonhar?
Quantos entardecer parei para olhar? E meu coração? Dediquei atenção a tarefa de escutar? Amei, simplismente, sem essa pressa em julgar?
Quero garantir o direito de em algum momento sentar, só, frente a frente com minhas razões. Preciso reconhecer o que vai no recôndito do meu ser. Avaliar com sinceridade tudo que faz sentido, que traz a paz, brota em forma de alegria, que é perene e duradoura.Não posso e não quero acalentar o medo de em um dia comum ser surpreendida por uma peça do destino e lamentar o deixar passar o presente de cada dia, perdido na ilusão de poder o amanhã controlar.

Edna.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Solidão!

Hoje, 02/04, o mundo levanta a bandeira do " Dia da conscientização do autismo".
Os habitantes desse mundo, na maioria das vezes é experimentam extrema solidão! Comparo seu viver como uma caminhada em um árido deserto, seguindo, sempre só, independente de quantos estejam ao seu lado,esperando sempre que alguém os encontrem e lhes mostrem a saída. Muitos recebem apoio, carinho, amparo, mas na maioria das vezes seus sentimentos estão bloqueados, trancados e a impermeabilidade que a doença proporciona apaga os vestigios da saída. A porta é o amor, mas, a chave que aciona essa passagem na maioria das vezes só abre de dentro para fora. Difícil para aqueles que os amam compreender que o trabalho da aproximação, da intimidade só se realiza com imensa paciência, carinho , dedicação e ajuda especializada. Afinal, para os pais, a linguagem mais compreendida é o amor, essa aproxima antes mesmo do ato de falar. Já tive um convívio muito próximo com um anjo exatamente assim! Ele vivia em encastelado, encantado em seu mundo particular! Recordo que só após um longo aprendizado me foi permitido compartilhar do seu afeto e entender suas dificuldades. Compreendi que ele, mais do que eu mesma lutava para derrubar as barreiras que o separava dos seus familiares e do mundo exterior. Foi um árduo e vitorioso trabalho. A recompensa inesquecivel!!Proporcionou imensas alegrias e deliciosos abraços. Recuperamos o tempo da ausência ao compartilhar uma canção, abraçados, nos olhando, nos conhecendo, por dias sem conta.
No dia de hoje, muitos vestem azul, para em respeito a essa causa divulgar à quantos convivem com um autista o quanto merecem nosso respeito e precisam da nossa ajuda, amor e compreensão para viver com plenitude! 
Lembrando sempre que a luta é árdua, mas a recompensa é infinitamente maior.

Edna.