Ainda que eu nada tenha, sei que sempre terei a capacidade de amar um inocente. Ainda que eu pouco possa, sei que poderei doar solidariedade e ajuda a um ser que não pode compreender como tantos seres "humanos" são destituídos de fraternidade. Observo que amar e ajudar nossos semelhantes acalma nosso egoísmo, eleva nossa auto estima, e algumas vezes, até rende um tanto de elogios
que nos absolve de sentimentos menores, afinal, praticar algum tipo de caridade dá um certo status para nossa consciência. Penso que é preciso fazer mais, principalmente por aqueles que são impossibilitados de articular palavras para propagar minha “bondade”, jamais divulgarão a quem quer que seja o quanto sou caridosa e me importo em aliviar o sofrimento alheio.
Quando vejo cenas tocantes de animais em abandono, avalio o quanto preciso por em prática meu lado solidário mais verdadeiro. Os animais abandonados, muitas vezes os encontramos vagando pelas ruas, maltratados e submissos, condenados a uma vida de frio e fome, sede material e afetiva, e, o que é mais cruel, muitos deles já havendo conhecido o carinho e o amor de alguém. Nestes momentos meu coração conhece a revolta, entende o significado da pobreza de sentimentos, da falta do amor com responsabilidade.
Faço o que posso, como posso, quando posso, sei que é pouco, quase nada, mas alivio minha consciência quando levo um pouco de alimento, deixo um pote de água ou simplesmente permito que as lágrimas rolem livres enquanto formulo uma prece.
Sinto tanto por aqueles que não tiveram a sorte de nascerem com pedigree, mas, creio que ainda resta uma esperança. Tenho fé que um dia o homem ainda dimensionará o tamanho do afeto de um animal pela doçura e pureza do seu olhar,pela lealdade e amor que oferecem. Neste dia, não haverá mais nenhum animal abandonado, maltratado, pois o ser"humano", mais do que qualquer outro ser é carente de amor.
Edna.
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