Almoçava distraída quando observei através da janela a vida passando na forma mais simples e bonita de se ver. Dois jovens, seguiam distraídos, notei a sonora risada, a conversa animada. Olhando de longe causou –me certa estranheza o fato de andarem no mesmo ritmo, observei uma sincronia perfeita. Só então, apurei o olhar e constatei, eram deficientes visuais. Bem vestidos, com bom gosto e estilo. Um deles usava cabelos compridos que amarrado dava um certo charme no contraste com a camisa e a gravata. A bengala, quase imperceptível, pareceu-me dispensável tal a segurança dos movimentos. Observei que portavam crachás de uma empresa. Concluí... trabalhavam, sorriam, enfim, demonstravam que dificuldade era uma palavra há muito superada. No mundo particular de cada um deles só havia espaço para sentir a vida em sua plenitude, essência, sem ao menos a necessidade da luz. Pensei no exemplo edificante, lembrei-me de pessoa próxima que realiza projetos, vive com tal intensidade cada momento, com tamanha grandeza de alma que seu guia maior é o brilho interior, a aceitação. Dificuldade! palavra tão usual quanto superável. Naqueles breves momentos, uma vez mais, tive certeza que as maiores barreiras existem na cabeça de quem permite que se sobreponha ao querer ser feliz, ao fato de não perceber as bênçãos. Agradeci a Deus aquele sublime momento em que tive essa percepção. Os jovens seguiram seu caminho, nunca saberão o quanto fui tocada pelo exemplo de sorrir para a vida mesmo sem ver o sorriso de alguém. Naquele momento fiz uma promessa silenciosa, olhar menos para as dificuldades menores, enxergar mais o que realmente importa.
Edna.
Nenhum comentário:
Postar um comentário