Hoje, quero ter o direito! Repasso pensamentos, decifro sentimentos e me permito divagar ao sabor das emoções que comprimem a alma. Porque vidas se esvaem em plena juventude? Em dia de renascimento pais choram a ausência, arrancados da beira do leito que antes guardavam a esperança da cura. Que haja a aceitação, pois somente resta essa opção! Histórias de sofrimentos, calados, guardados em quartos espalhados por tantas casas da cidade. Há quem sofra no silêncio da noite. São muitos os que esperam o raiar de um novo dia para continuar a busca incessante em favor da cura, procurando o remédio do corpo e a fé em forma de esperança para a alma. E, quando enfim, a cota de tristeza parece esgotada uma jovem promissora, profissional competente é apanhada de surpresa por um acidente vascular cerebral que a coloca em risco de vida em pleno vigor dos seus trinta e poucos anos. Aí, a casa caí!!! Bate a dor no peito, fica dificil exercitar o momomento da resignação. Nessas horas digerir tantas provas, aceitar com naturalidade a vida tão incerta é tarefa para gigantes. Bate a reflexão! Surge questionamentos... Valerá a pena tantos planos? alcançaremos a meta? O reconhecimento de tudo que nos cerca é proporcional ao esforço despendido? E essas pessoas em grandes provas ? Será que a algum tempo, poucas horas, imaginavam sequer que faltava tão pouco para que tudo mudasse? E se hoje fosse o nosso derradeiro dia? Sairiamos do cenário da vida plenos da certeza do papel cumprido? Ou deixariamos para trás pequenas alegrias que não tivemos tempo para realizar? O que fizemos das boas palavras que não houve tempo para externar?Será que falei com quem precisava? Usei meu direito de sonhar?
Quantos entardecer parei para olhar? E meu coração? Dediquei atenção a tarefa de escutar? Amei, simplismente, sem essa pressa em julgar?
Quero garantir o direito de em algum momento sentar, só, frente a frente com minhas razões. Preciso reconhecer o que vai no recôndito do meu ser. Avaliar com sinceridade tudo que faz sentido, que traz a paz, brota em forma de alegria, que é perene e duradoura.Não posso e não quero acalentar o medo de em um dia comum ser surpreendida por uma peça do destino e lamentar o deixar passar o presente de cada dia, perdido na ilusão de poder o amanhã controlar.
Edna.
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