quarta-feira, 20 de março de 2013

O tempo!

Ainda hoje senti saudades. A imagem da pantera cor de rosa passou rapidamente pela tela do computador da colega,mas, foi suficiente para desenrolar o tênue fio das recordações. As vezes uma simples figura tem o poder de trazer à tona lembranças preciosas, guardadas no mais intimo do nosso ser.
Revivi tardes distantes, crianças pequenas chegando da escola,Lição pra ensinar, escolher o bôlo para o lanche da tarde, chocolate ? tudo virava polêmica,depois havia o acordo, não sem antes um deles apontar o irmão como protegido. Dias vividos no aconchego. Letícia, minha filha do meio, quatro anos, adorava duas coisas; fazer pose de modelo e passar horas sentadinha no sofá assistindo repetidas vezes a pantera cor de rosa. A trilha sonora invadia a sala e impregnava a mente, nestes momentos eu tinha certeza que enquanto o som persistisse ela estaria longe das travessuras e dos perigos. Meus quatro filhos ainda crianças. A rotina não existia, passávamos diariamente por uma porção de imprevistos. Fernanda, minha inocente menina! Adolescente, vivia as alegrias do primeiro amor, descobrindo o quanto é possível ser feliz ao receber um simples olhar e ao mesmo tempo sofrer tanto pela falta dele, tudo em uma fração de minutos. Rodrigo, meu garoto skatista! habilidoso, ligeiro no skate e nas idéias. Meus sentidos estavam sempre alertas para reconhecer suas artimanhas para me enrolar, já adulto, vim a saber por ele mesmo, que aos doze anos a galeria do Rock era seu passeio preferido, deduzi que a ingênua era eu. Havia também um anjo entre nós. Ele habitava com sua doçura e sua luz cada espaço das nossas vidas. Médicos descreveram suas possibilidades como limitadas, mas Deus, nosso amor e cuidados provaram que eles estavam errados. Era a alegria, a descoberta a esperança. Fabinho nos ensinou a importância de aprender bater palmas, o significado de articular cada palavra e a vitória de andar, correr e jogar bola aos três anos de idade. Com ele cantar parabéns a você uma duzia de vezes era divertido, apagar a velinha também, pra ele a chegada da pizza era uma festa especial, digna de ser comemorada com gritinhos de alegria, para nós também, com ele aprendemos como sofrer unidos e se alegrar também, Por ele nos aproximamos mais de Deus, para que ele viva para sempre aprendemos que ninguém vai embora, fica guardado dentro do coração. Tudo valeu a pena! Olho o passado, vejo uma mãe as voltas com seus quatro filhos, dividindo com o pai amoroso e amigo a tarefa de construir uma família, preparar para o mundo pessoas de bem. Hoje, são adultos, seguem diferentes caminhos. Eu continuo na retaguarda, ao alcance do olhar e da mão, agora com o olhar voltado para meu neto Felipe. As vezes, ainda volto no tempo, relembro fatos, quase posso tocar minhas quatro crianças. Experimento uma sensação de paz, concluo que há felicidade, somos pessoas simples aprendendo o sentido da vida,escrevendo suas histórias, buscando se aprimorar no exercício do amor!


Edna.

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