Passava da meia noite.O papel afixado na porta de vidro informava o falecimento da minha vizinha do prédio ao lado. Como assim? Ela não estava doente. Ainda ontem eu a vi, ou será que já fazia uma semana?Não lembro bem. Mas, seu caminhar sereno e o sorriso discreto , este eu tenho bem nítido em minha mente. Geralmente, no final de semana, ela passava, vinha da igreja, cumprimentava e seguia. Acho que tinha planos, sonhos, talvez acalentasse uma alegria que precisava de tempo para acontecer. Mas, o tempo não chegou. Abro um espaço para a reflexão. Penso nos meus sonhos, nos planos, no tempo. Será que vale a pena o esforço, haverá dias de colher o que sonho hoje? Concluo que o tempo é agora. Que a felicidade está presente neste dia que eu deixo passar envolvida que estou a espera de um amanhã que pode não chegar. Melhor rever meus conceitos. Mais sábio sorrir hoje, ser feliz com o que tenho. Minha vizinha partiu. com sonhos ou sem eles deixou tudo aqui, encerrou sua história, talvez para iniciar outra mais feliz. A família cabe recordar os bons momentos, praticar a aceitação que só a fé proporciona.O que conta é a essência do que somos, o bem que praticamos, a verdade que vivemos. A vida é efêmera, mas, a virtude é eterna.
Edna.
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