to o olhar, este, transmitia certa luminosidade, simplicidade. Carregava com dificuldade um volume que me pareceu maior que suas parcas forças, vez ou outra parava para descansar. Não parecia alguém de má índole, só a imagem da desesperança, do cansaço. Pessoas apressadas, horário de almoço, disfarçadamente sigo a seu lado. Confesso que senti vontade de puxar conversa, saber se poderia pagar um lanche, não tive coragem, o receio de ofender foi maior. Aquele senhor, apesar da simplicidade, transmitia respeito. Deixei que seguisse seu caminho. Passei a divagar…Com algum trato aquele homem bem que poderia ser o Papai Noel de algum Shopping. Lembrei da noite anterior, havia explicado ao meu neto a ausência do Papai Noel em sua cadeira de honra. Disse que era tarde, “Ele’ precisava descansar.
Mentalmente encaixei a figura daquele desconhecido na cadeira vazia, imaginei a roupa bonita, a barba bem tratada, o sorriso nos lábios. Sim, ele caberia no contexto. Talvez o que tenha lhe faltado fossem oportunidades, um tanto de boa vontade, alguém que indicasse um caminho mais leve, talvez um sim ao amor próprio, renovar a fé nas possibilidades, um amor para viver.Não sei. Não julgarei quem não conheço. Só sei falar do que sinto, analisar o possível.
Foi assim que o perdi de vista. Propositalmente desvinculei meu pensamento daquele momento. Segui minha rotina. Para alivio da minha impotência em ajudar, preferi acreditar que em algum lugar o “Senhor Papai Noel” encontrará afinal uma cadeira pra descansar.
Edna.
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