Sentamos lado a
lado, a princípio éramos só mais duas pessoas a espera de atendimento. Notei seu
perfil distinto, sua face resignada, (deduzi que o motivo era o anuncio da
diabetes, altíssima, mas, ela não se abalou. Aceitou todas as medicações, as
dolorosas tentativas com agulhas, tudo, mas, tudo mesmo parecia não lhe
importar, parecia menor do que o enorme fardo que oprimia seu coração. Seu
semblante era sereno, sua total placidez nem por um momento denunciava o que se
passava em seu interior, confesso que quando mais a observava, mais intrigante
era sua atitude de total indiferença.
Ficamos a sós, com nossas dores e
pensamentos. Ela, num relance, olhou-me nos olhos e perguntou como quem já sabia
a resposta: amanhã é dia 13? Respondi que sim, revelou, amanhã fará 2 meses que
perdi meu amado filho. Não imaginava ser este o motivo da sua tristeza, mas
deixei-a a vontade. Falou do quanto ele era maravilhoso, que só tinha 38 anos,
era recém casado, estava iniciando uma vida, planejada nos mínimos
detalhes.Falou do quanto era gentil e atencioso para com ela, de como eram
grandes amigos e de como, assim, do nada, a leucemia destruiu sua vida em apenas
um mês e uma semana. Resolvi falar um pouquinho... Comecei dizendo que não
acredito no acaso, que eu poderia estar sentada em qualquer outra das 20
cadeiras do recinto, mas, Deus colocou –me bem ao lado dela, só pra dizer que
entendia sua dor, já havia passado por uma igual. Afirmei que este período de
sofrimento é muito intenso e, embora ela pudesse discordar, eu também na
ocasião, ouvi que o tempo ajudaria, a dor daria lugar a saudade, a gratidão de
ter sido escolhida para ser a mãe de alguém tão precioso.
Senti vontade de
lhe dar um grande abraço, quisera ter o poder de transmitir à ela a paz que hoje
sinto, a aceitação que adquiri,mas, não me atrevi. Finalizei nossa conversa
desejando que Deus renove suas forças, que ela seja inspirada a olhar para o céu
e encontre seu filho amado na forma de uma estrela luminosa a guiar sua vida,
assim como aconteceu comigo.
Edna.
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