O balanço subia
alto, muito alto, a menina, com seus pequenos pezinhos impulsionava cada vez
mais forte, acreditava poder tocar as nuvens. A visão lá do alto era tão linda,
cada vez que alcançava os galhos da frondosa árvore tinha um sentimento de
poder, o vento batendo em seu rosto falava de uma liberdade restrita, mas
importante. Naquele momento, na inocência dos cinco anos, esta simples
brincadeira simbolizava a maior aventura. Quisera a mãe não chamar, o tempo
parar ela poder voar. Mas, o cuidado de minha mãe observava os limites sendo
ultrapassados, ela ordenava: chega, já abusou muito da sorte, não basta um
joelho arranhado ? pode ainda rachar a testa. As palavras claras e ao mesmo
tempo ameaçadoras diziam que o melhor seria obedecer. Passava então para a
brincadeira preferida, imitar os artistas da época.Qualquer objeto se
transformava em um microfone, o vestido da minha mãe completava o imaginário,
era garantia de elegância, afinal era comprido e rodado, eu era uma estrela.
Encima de um caixote, interpretava as musicas mais pedidas, (por mim mesma),
agradecia os aplausos do público imaginário e encerrava o show. Hoje lembrei
este período da minha infância, simples, mas extremamente feliz. Interessante
observar que, apesar do tempo conservo um fascínio por balanços e que, para cada
momento da minha história de vida há uma música marcante, amo cantar, acredito
ser este o combustível do meu ser.
Edna
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