terça-feira, 3 de abril de 2012

Reminicências



O balanço subia alto, muito alto, a menina, com seus pequenos pezinhos impulsionava cada vez mais forte, acreditava poder tocar as nuvens. A visão lá do alto era tão linda, cada vez que alcançava os galhos da frondosa árvore tinha um sentimento de poder, o vento batendo em seu rosto falava de uma liberdade restrita, mas importante. Naquele momento, na inocência dos cinco anos, esta simples brincadeira simbolizava a maior aventura. Quisera a mãe não chamar, o tempo parar ela poder voar. Mas, o cuidado de minha mãe observava os limites sendo ultrapassados, ela ordenava: chega, já abusou muito da sorte, não basta um joelho arranhado ? pode ainda rachar a testa. As palavras claras e ao mesmo tempo ameaçadoras diziam que o melhor seria obedecer. Passava então para a brincadeira preferida, imitar os artistas da época.Qualquer objeto se transformava em um microfone, o vestido da minha mãe completava o imaginário, era garantia de elegância, afinal era comprido e rodado, eu era uma estrela. Encima de um caixote, interpretava as musicas mais pedidas, (por mim mesma), agradecia os aplausos do público imaginário e encerrava o show. Hoje lembrei este período da minha infância, simples, mas extremamente feliz. Interessante observar que, apesar do tempo conservo um fascínio por balanços e que, para cada momento da minha história de vida há uma música marcante, amo cantar, acredito ser este o combustível do meu ser. 

Edna

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